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Marina Silva defende cassação da chapa Dilma/Temer, critica reforma da Previdência e a terceirização na Globonews

Rede Sustentabilidade 31 de março de 2017

A porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, foi a entrevistada da semana no programa Diálogos, veiculado na noite desta quinta-feira (30 de março) na Globonews. Durante os quase 25 minutos de conversa com o jornalista Mario Sergio Conti, ela abordou os principais assuntos do momento, que compõem a atual conjuntura política do país. Entre esses temas, Marina voltou a defender a cassação da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), criticou a tentativa dos partidos de barrar a Operação Lava Jato, a reforma da Previdência e o projeto de terceirização aprovada na Câmara.

O programa foi transmitido ao vivo para os telespectadores. Na entrevista, a porta-voz da REDE reiterou que existem fartas comprovações das irregularidades tanto na Operação Lava Jato quanto no processo contra a chapa Dilma/Temer no TSE. Na sua avaliação, os crimes precisam ser punidos com a cassação de quem os praticou.

“Tem uma declaração do Marcelo Odebrecht no TSE, que ele doou de forma ilegal, via caixa 2, R$ 150 milhões para a campanha Dilma/Temer. Isso é uma comprovação farta e a sociedade brasileira espera que também possa acontecer na Justiça Eleitoral o que já tem acontecido na Justiça Criminal”, destacou Marina.

Sobre os rumores de que o TSE poderá postergar o julgamento da chapa mais adiante com pedidos de vistas ao processo e até mesmo desmembrar o caso para julgar Dilma e Temer separadamente, Marina salientou a necessidade de a Constituição e as legislações vigentes serem respeitadas. Como justificativa, a porta-voz da REDE apontou que todos os casos semelhantes ocorridos com governadores tiveram decisões pela cassação da chapa.

“Não existe a eleição de vice no Brasil. O vice é eleito pelo titular. Além disso, o PT e o PMDB praticaram os mesmos crimes juntos. E o Temer é o vice da Dilma. Ele está na linha sucessória porque ela o colocou. Eles são irmãos siameses e faces da mesma moeda. Praticaram juntos e, obviamente, não se pode fazer essa separação”, disse.

Com base nesses argumentos, Marina voltou a defender a realização de nova eleição para presidente caso aconteça de fato a cassação pelo TSE. Para ela, seria uma forma correta de repactuar o Brasil com essa transição. Ela também reiterou sua posição contrária de preservar os direitos políticos dos cassados, tanto do titular quanto do vice. “Precisamos ter uma lei exemplar em relação aos crimes eleitorais. Se isso não acontecer, com certeza estaremos desrespeitando a Constituição brasileira.”

Pressão contra a Lava Jato
Marina também reiterou durante a entrevista que existe um verdadeiro acordo do PT, o PSDB e o PMDB para barrar as ações da Operação Lava Jato. Essa união, segundo ela, acontece para aprovação de projetos, como o de anistia ao caixa 2 e o de abuso de autoridade. “Eles (os partidos) da polarização nunca estiveram unidos pelo país, mas agora estão por essas aprovações. É só verificar o que vai acontecer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) sobre o abuso de autoridades. A Justiça não pode agir sob pressão, mas de acordo com a Constituição, conforme a lei e com o que está nos autos. O Brasil espera que assim seja”, salientou.

Ainda de acordo com a porta-voz da REDE, a operação tem feito uma reforma política na prática. Como consequência, tem tornado a político desinteressante para quem as utiliza para praticar a corrupção. “Tenho dito há algum tempo. Quando a política não resolve e passa a ser um problema para o interesse público, resta a Justiça vir ao socorro. É isso que está acontecendo no Brasil. Por isso, a sociedade quer ver isso ser passado a limpo e a gente não deve ficar feliz com isso, mas interpretar a justiça como uma reparação”, falou.

Posição sobre o governo Temer
Questionada o que acha do governo Temer, Marina afirmou que a REDE tem uma posição de independência porque não tem a intenção de ser oposição pela oposição, apenas. Por outro lado, ela questionou o compromisso do atual presidente de passar o Brasil a Limpo, já que mantém seis ministros investigados pela Operação Lava Jato.

“Infelizmente, o governo acabou de fazer a sua propaganda política de 10 minutos e não deu uma palavra sobre corrupção, ou (Operação) Lava Jato. Parece que a gente está em um outro planeta. Todas essas coisas estão acontecendo em um Brasil real e isso não passa pela cabeça dessas lideranças?”, perguntou Marina.

Teto dos gastos
Questionada sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o teto de gastos do Executivo, a reforma da Previdência e o projeto de terceirização, Marina manteve sua posição crítica em relação a esses temas. Referente ao teto, ela repudiou a iniciativa aprovada, de congelar as despesas por um período de 20 anos.

“Eu fui a primeira a levantar essa questão (teto de gastos) em 2010. Nas minhas diretrizes da campanha, colocamos que o aumento do gasto púbico poderia ocorrer somente até a metade do crescimento do PIB. Mas a gente não iria fazer isso com uma PEC congelando o orçamento público em 20 anos como foi feito. E se o Brasil voltar a crescer, a aumentar a arrecadação? Precisamos ter a possibilidade de manejar isso para fazer investimentos estratégicos. O país precisa de investimentos tanto na área de infraestrutura, quanto na saúde, na educação, na segurança pública e em todos os setores”, avaliou.

A porta-voz da REDE ressaltou ainda que a reforma da Previdência é necessária e, se estivesse no Congresso, votaria pela admissibilidade, mas corrigiria as arbitrariedades. “Pensar a previdência social é fundamental. O que não pode fazer é estabelecer que, para receber aposentadoria integral, precisa contribuir 49 anos ininterruptamente. Outra grande injustiça é equiparar os trabalhadores urbanos com os trabalhadores rurais, que enfrentam uma situação muito pior”, criticou.

Quanto à terceirização, Marina disse que a proposta fere todos os processos de respeito às leis trabalhistas por não mais existir a separação da atividade fim e a atividade meio. “Assim, a situação da precarização ficará cada vez mais crônica.”

Pautas ambientais
Ainda no fim do programa, a porta-voz do partido destacou que tanto a ex-presidente Dilma e o presidente Temer são semelhantes na condução das pautas ambientais do país. Na sua avaliação, Dilma foi quem menos fez reforma agrária, demarcação de terras indígenas e o que menos criou unidades de conservação. “Ela ainda aprovou uma lei para diminuir unidades de conservação”, protestou.

Para Marina, o governo do presidente Temer está aprofundando esses retrocessos e propondo outros temas ainda piores, como o fim do licenciamento ambiental. “Nessa agenda, eles convergem. O PT e PMDB atuam uma cópia como um do outro”, assinalou.