Zeca Ribeiro/Agência Câmara

Em discurso no plenário, líder da REDE reitera apoio à Operação Lava Jato

Rede Sustentabilidade 19 de abril de 2017

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Em discurso feito no plenário da Câmara no fim da tarde desta quarta-feira, 19 de abril, o líder da bancada da Rede Sustentabilidade na Casa, deputado João Derly (RS), reiterou o posicionamento do partido de ser favorável à continuidade dos trabalhos da Operação Lava Jato. O discurso vem em meio à delação premiada da Odebrecht, em que a colaboração de ex-executivos da empreiteira com força tarefa resultou em uma nova lista de investigados, autorizada pelo relator da operação no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin. A relação envolve oito ministros, três governadores, 24 senadores e 39 deputados.

“Por isso, defendemos o aprofundamento das investigações da Lava Jato para punir os culpados e inocentar quem não deve”, afirmou João Derly no plenário.

Sobre as declarações de um dos diretores da Odebrecht referentes a uma reunião realizada na campanha da porta-voz da REDE, Marina Silva, à Presidência da República de 2014, João Derly destacou que ela não é investigada pela operação porque nunca fez uso de caixa dois em suas campanhas. Durante sua fala no Legislativo, ele afirmou que Marina é um dos poucos políticos mencionados nos depoimentos que não precisam negar o que os depoentes disseram, ao contrário de muitos citados nas delações.

“Ela pode mostrar à sociedade que a doação foi feita de acordo com a legislação vigente à época. Não é mérito não estar nesta lista (do STF). Não ser corrupto é uma obrigação”, destacou o líder da REDE na Câmara.

Ainda no discurso realizado aos demais parlamentares, inclusive alguns citados na última lista da Operação Lava Jato, o deputado João Derly reafirmou que o projeto da REDE não se interessa pela luta de poder pelo poder. A REDE é um instrumento de ação a serviço da sociedade. Além disso, o líder da REDE salientou que a solução para o fim da corrupção pode estar na aprovação do fim do foro privilegiado, cuja PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o tema está em tramitação no Senado.

Por outro lado, ele criticou as inúmeras tentativas dos políticos de tentar atenuar os efeitos da Operação Lava Jato, como a proposta de lista fechada nas eleições proporcionais como forma de perpetuar os atuais parlamentares no poder, o projeto de abuso de autoridade num esforço de barrar a força-tarefa contra a corrupção e a anistia ao caixa dois.

Confira a íntegra do discurso:

“Senhores deputados e senhoras deputadas,

Quero iniciar meu pronunciamento dizendo que, nós da bancada REDE e a militância de um Brasil inteiro, que coletou um milhão e meio de assinaturas para criação do partido, estamos na Rede Sustentabilidade porque partilhamos dos princípios e valores que ajudamos a construir. Estamos na REDE porque acreditamos fortemente que o Brasil pode ser passado a limpo, que uma nova política é possível. Basta que o eleitor seja respeitado, o mesmo eleitor que nos dedicou mais de 20 milhões de votos nas últimas eleições à Presidência da República.

Marina Silva é uma mulher com trajetória política irreparável, de luta e de paz, uma mulher que nunca se ocupou de enriquecer às custas do povo, pelo contrário, seu histórico como figura pública nos ensina que a política é um serviço que prestamos a sociedade com extrema transparência.

Um dos diretores da Odebrecht citou uma reunião realizada na campanha de 2014 à Presidência da República e a doação feita pela empresa, que foi integralmente registrada junto ao TSE. Marina é um dos poucos políticos citados que não precisa negar o que o depoente disse. Ela pode mostrar à sociedade que a doação foi feita de acordo com a legislação vigente à época.

Por isso, posso vir aqui e dizer que Marina Silva não está sendo investigada pela Lava Jato, que não tem nenhum nome jocoso em listas da Odebrecht e que Marina Silva nunca fez uso de caixa 2 em suas campanhas. Não é mérito não estar nesta lista. Não ser corrupto é uma obrigação.

Reafirmamos que o Projeto da REDE não se interessa pela luta de poder pelo poder. Somos um instrumento de ação a serviço da sociedade e defendemos o aprofundamento das investigações da Lava Jato para punir os culpados e inocentar quem não deve!

De fato, a delação da Odebrecht, conhecida como delação do fim do mundo, está obrigando a classe política a se reinventar, cumprindo um papel fundamental na construção de novo modo de fazer política no Brasil. A Lava Jato prendeu operadores, executivos e agora chegou na classe política. O governo Temer tem nove ministros citados na lista e não se cansa de criar manobras para barrar a Lava Jato. Lançou goela abaixo, nesta Casa, o PL de abuso de autoridade que pretende criminalizar a atividade interpretativa dos juízes. Lançou a anistia do caixa 2 defendida publicamente por vários parlamentares, e também pelo ex-ministro Bresser Pereira, que diz que caixa 2 faz parte da cultura política brasileira, que é normal e comum receber propina. Está tentando mudar a regra eleitoral com a Lista fechada, para perpetuar os que já estão no poder, na contramão de todos os anseios da sociedade.

Nós da Bancada REDE entendemos que a solução para o fim da corrupção pode estar na aprovação do fim do foro privilegiado e para isso estamos mobilizando a sociedade. Queremos que a classe política seja julgada como qualquer cidadão comum, estamos buscando dialogar em busca de mecanismos que impeçam definitivamente o desvio do dinheiro público.

Estamos dispostos a quebrar o monopólio dos partidos na representação política com as candidaturas independentes. Em vários países civilizados do mundo ocidental o cidadão pode concorrer ao parlamento de forma independente em lista cívica, enquanto no Brasil querem restringir mais ainda a participação popular, criando uma Lista Fechada com nomes indicados pelos partidos.

E para finalizar, é necessário reiterar que Marina Silva expressou em nota do dia 2 de março de 2017, quando esse assunto veio a público pela primeira vez, que ela confia no trabalho da Justiça e defende a urgência para mudar o sistema político corrompido e viciado que tem maculado a nossa democracia. Qualquer acusação de doações irregulares em eleição, para campanha de quem quer que seja, deve ser rigorosamente investigada para que não paire nenhuma dúvida ou suspeita.”

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