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Esta crise tem nome e sobrenome: a transformação do Estado em balcão de negócios

Rede Sustentabilidade 19 de maio de 2017

A crise explodiu! Mas de que é feita esta crise, cujas proporções gigantescas deixam o país perplexo, indignado e inseguro em relação ao seu futuro?

Esta crise tem nome e sobrenome: a transformação do Estado em  balcão de negócios onde se transacionam interesses privados e poder político. Espantam as cifras, os bilhões anunciados diariamente como propina e tudo isso pode dar a impressão de que saiu do bolso de empresários para o conluio com agentes públicos. Mas não! Cada tostão saiu dos recursos públicos, das obras superfaturadas, das licitações de cartas marcadas, dos cargos entregues na bandeja para a corrupção, das políticas públicas mancas, mal feitas e criminosamente contaminadas pelos interesses do banditismo público-privado.

O momento presente é o auge desse processo. Ao longo de meses ficamos sabendo, graças à Operação Lava-Jato, de que é feito o sistema político brasileiro. Chegamos às entranhas do poder, até o ato final que é o símbolo da implosão deste sistema: um presidente da República ouvindo um empresário relatar suas façanhas ilegais, aprovando e incentivando o crime. Parece ficção. Mas não é. É o Brasil que precisamos mudar. Que precisamos entregar aos nossos filhos com alguma perspectiva de desenvolvimento real e democrático. Precisamos, finalmente, proclamar a República que a corrupção sabotou. Temos que sair do choque paralisante, do engasgo angustiante, erguer a cabeça e entrar em campo como sociedade que exige o que lhe é de direito, e isso começa por um sistema político renovado, saneado.

Vamos aos fatos: Michel Temer não tem mais condições de governar, mas agarrado ao foro privilegiado, recusou-se a renunciar. Restam o impeachment ou uma decisão do TSE, colocando um ponto final na fraude eleitoral de 2014 por meio da cassação do mandato da chapa Dilma-Temer. Em qualquer dos casos, é impensável entregar a este Congresso desmoralizado a eleição de um novo presidente. A única força política capaz de resolver legitimamente a crise é a sociedade, por meio de eleição direta para a Presidência da República. O TSE pode tomar essa decisão mas, se não o fizer, deve-se exigir do Congresso um ato de dignidade em meio ao caos: aprovar emenda à Constituição.

A Rede já tem o instrumento para viabilizar esta possibilidade: desde o ano passado tramita no Congresso a PEC 227/16, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede/RJ), que determina a eleição direta para Presidente da República em caso de vacância do cargo.

Ao contrário do que parece, este é um momento precioso de crescimento político, de amadurecimento, de união para o bem do país. Ao contrário do que pregam os apavorados beneficiários da corrupção, não precisamos deles para colocar o país nos trilhos. A economia só vai entrar, de fato, numa era de prosperidade e confiança quando forem restabelecidos os fundamentos de sua conexão inexorável com o bem público.

VAMOS ÀS RUAS! FORA TEMER! ELEIÇÃO DIRETA JÁ!

REDE Sustentabilidade