Lúcio Bernardo/Agência Câmara

“Aprovar o parecer é dizer que não há ninguém acima da lei, incluindo o Presidente da República”, diz Molon na CCJ

Rede Sustentabilidade 12 de julho de 2017

Para o deputado Alessandro Molon (REDE-RJ), os deputados que compõem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara tem diante de si um dilema: aceitar ou não que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a denúncia contra o presidente Michel Temer.

“Essa casa está com o seguinte dilema: se ela vai autorizar que o STF receba a denúncia ou se vai proibir. Se nós proibiremos o Supremo de processar alguém pelos seus atos ou autorizaremos o Supremo avalie se o crime foi praticado. Essa é a decisão desta Casa”, disse Molon, durante seu pronunciamento no segundo dia de sessão da comissão.

Para o deputado, a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República (PGR) não se baseia em delações e tem elementos suficientes para que seja levada ao STF. “É uma gravação de uma conversa criminosa, é a imagem da mala, o dinheiro entregue e devolvido”, disse.

Molon também fez críticas à defesa do presidente, que alega não haver provas contra ele. “Temer precisa decidir se recebeu um empresário ou criminoso. Ele recebeu um empresário criminoso”, disse, ao se referir às várias versões do encontro apresentadas por Temer e sua defesa desde que o caso veio à tona. Para o Molon, a gravação apresentada por Joesley Batista (JBS), mostram que o presidente agiu como um criminoso.

“O interlocutor diz que está comprando juiz e promotor e ele diz “ótimo”. Como pode um presidente da República não denunciar alguém que diz que está comprando um juiz e um promotor”, afirmou Molon, que também criticou a estratégia do governo em alterar a composição da comissão na tentativa de obter um resultado a seu favor. “Para pressionar colegas, está usando liberação de verbas. Usando dinheiro público para garantir um resultado falso e artificial”, disse.

Veja a íntegra do pronunciamento do deputado aqui