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Marina Silva anuncia pré-candidatura à Presidência da República

#Rede 3 de dezembro de 2017

O Brasil está atravessando um momento muito difícil, não por falta de meios ou potencial para o desenvolvimento estável e sustentável, mas pela derrocada do sistema político como fonte de liderança, credibilidade, representatividade e propostas agregadoras e viáveis para sair da crise e ir adiante. Temos características inigualáveis para dar suporte às atividades produtivas e condições de vida digna para a população. Temos a maior floresta tropical, a maior biodiversidade do planeta, além de uma diversidade cultural e étnica que enriquece nossa capacidade para criar e inovar. Temos uma grande extensão de área agricultável e de zona costeira e 20% da água doce do mundo. T

Temos uma economia diversificada, com uma importante base industrial e, por fim, uma democracia estável, o que demonstra nossa rara capacidade para sobreviver a este momento. No entanto, não é fácil enxergar e valorizar o que temos quando o cenário parece tão desanimador e parecem tão poderosas as forças do atraso e da corrupção.

Por falta de um governo responsável e equilibrado, estamos jogando fora essa fantástica energia. Patinamos, de um lado do espectro político, no populismo – que implantou importantes políticas sociais, ainda que muitas vezes frágeis e superficiais, mas manteve privilégios ao capital financeiro e setores empresariais atrasados. No outro lado do espectro, foram feitos avanços no sentido do equilíbrio econômico, que infelizmente vieram acompanhados de uma concentração de privilégios e benefícios e da penúria e sofrimento de trabalhadores e dos mais pobres.

Ambos setores se tornaram retrógrados e profundamente convergentes na sua cruel cegueira para o futuro e na ausência de projetos que enfrentem questões vitais para o mundo e para o país.

Hoje, no Brasil, 30% dos jovens estão desempregados, quase a metade não consegue concluir o ensino médio antes dos 19 anos e mais de 30 mil jovens, principalmente negros e de periferias, são assassinados por ano.

A violência no campo aumentou de forma significativa – é hoje a maior em 31 anos, e a ela se soma o desmonte da legislação socioambiental e dos direitos humanos.

Tristemente, a desigualdade ainda é a característica mais marcante da nossa sociedade. Os seis brasileiros mais ricos têm tanta riqueza quanto os 100 milhões mais pobres. A educação pública de qualidade é apenas um discurso que não saiu do papel. Apenas 30% dos alunos da rede pública saem do 9º ano com aprendizado adequado em leitura e interpretação e somente 14% conseguem resolver problemas de matemática.

Precisamos, como diz nossa porta voz, Marina Silva, proclamar finalmente a República! Não aceitamos mais como regra da ação política o conluio que coloca o patrimônio de toda a sociedade a serviço de interesses individuais ou de grupos. Sem falar daqueles que assaltaram – e dos que continuam assaltando – os cofres públicos para enriquecimento próprio ou para irrigar seus projetos de poder, e que, com impressionante cinismo, falam hoje em “reformas imprescindíveis” para “salvar o país”. Reformas? Sim, são necessárias e deverão ser feitas, mas não aquelas feitas sob medida para resguardar os poderosos e desviar o foco da gravíssima desqualificação ética e política de quem as promove, por exemplo as que vêm ocorrendo no governo atual.

O equilíbrio fiscal não pode ser obtido às custas da redução de direitos e sucateamento das políticas sociais, mas sim, primeiramente, com o combate à sangria da corrupção e o corte de privilégios, restabelecendo a saúde do investimento por meio de uma Gestão Pública eficiente e reconfigurando os padrões de desempenho deste setor, tudo isso associado ao estabelecimento de regras claras, ágeis, confiáveis e justas para os investimentos públicos e privados. O grito das ruas de 2013 ainda ecoa, mas a política tradicional, em todos os seus matizes desperdiçou esse potencial transformador, preferindo tentar manipulá-lo dando respostas pífias e enganadoras.

O Brasil precisa urgentemente construir um projeto de País que mobilize trabalhadores, empresários, a Academia, movimentos sociais e ONGs e, principalmente, recupere o potencial realizador e transformador da juventude (e de todo o povo brasileiro), que almeja por justiça, solidariedade, participação social, preservação e uso sustentável dos recursos naturais. A Rede Sustentabilidade busca coligar, principalmente, as forças da sociedade marginalizadas por um sistema corrupto e exaurido – mas ainda poderoso, forças estas que se articulam em ações autorais e em grupos de ativismo político. Nos coligaremos também com partidos que tenham protagonismo ético, compromissos sociais e ambientais, responsabilidade com a coisa pública e com a eficiência do Estado.

Apesar das tentativas de desconstrução de sua liderança, principalmente na eleições de 2014, Marina Silva representa uma alternativa real para agir na direção para a qual o Brasil precisa caminhar: unir a sociedade e superar o ódio, as mentiras, a polarização e a descrença; combater a corrupção; interferir objetivamente nesse cenário de crise política, econômica, social, ambiental e ética; e permitir que o país se reencontre com o seu futuro. Marina, por sua história pessoal de superação, pela firmeza do seu caráter e coragem para enfrentar adversidades, somadas à sua experiência reconhecida e premiada nacional e internacionalmente de gestão como Ministra do Meio Ambiente, além de sua capacidade de construção de consensos entre diferentes, reúne as competências e habilidades que o país tanto precisa neste momento.

A partir desta análise e tendo recebido moções de apoio unânimes de todas as nossas conferências regionais já realizadas, o Elo Nacional da Rede Sustentabilidade conclama Marina Silva, nossa principal liderança política, nossa mantenedora e realizadora de utopias, a colocar seu nome à disposição do partido e a serviço da sociedade brasileira como pré- candidata à Presidência da República.

Elo Nacional da Rede Sustentabilidade Brasília, 2 de dezembro de 2017