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Livres recebe solidariedade do porta-voz nacional da REDE

Zé Gustavo 8 de janeiro de 2018

Opinião publicada por Zé Gustavo

É muito triste o que aconteceu com o movimento Livres dentro do PSL. Esse tipo de comportamento reforça uma forma velha e tradicional de fazer política, mostra ainda mais como é importante a ação dentro da política institucional. Para quem não sabe, o Livres é um movimento liberal, intelectualmente muito honesto e consistente, que estava fazendo um processo de renovação e atualização da estrutura partidária do PSL (Partido Social Liberal). Na semana passada, o PSL assinou um compromisso com a filiação de Jair Bolsonaro e isso fez com que o movimento, para manter sua integridade, decidisse sair do partido que estava ajudando a reestruturar. A decisão contábil, pragmática e eleitoral da velha guarda excluiu do processo político quem estava cumprindo, na prática, uma tarefa de inovação e renovação. O sistema político se fecha ainda mais para uma oxigenação.

O Livres era um movimento orgânico dentro do PSL e foi limado por uma ação vertical e autoritária. Infelizmente, o monopólio da representação eleitoral na nossa democracia está nas mãos dos partidos políticos, ou seja, uma pessoa só pode sair candidata se estiver filiada a um partido; por outro lado, a maior parte dos partidos políticos estão nas mãos de uma elite burocrática que só tem interesse em se favorecer e toma as decisões com olhar individualista. E isto, na maioria das vezes significa não apoiar o que é melhor para nossa sociedade.

O sistema político precisa se abrir às pessoas e não ser uma barreira para a atuação de quem quer ocupar a política e ajudar na transformação da sociedade. Este tipo de comportamento do sistema político justifica nosso posicionamento por candidaturas independentes e partido político (PEC 350) e a própria existência da Rede. Nascemos para ajudar a ser uma plataforma de sustentação aberta às pessoas que organizadas, ou não, possam contribuir para transformar a política. Tentaram nos barrar em 2013, e ainda tentam, mas conseguimos criar uma brecha no sistema. Temos muitos problemas e não temos a resposta de tudo, mas criamos uma série de inovações, inclusive ferramentas estatutárias, seguras juridicamente, para acolher pessoas que não queiram fazer parte organicamente do partido. Chamamos esta inovação de candidaturas cidadãs.

Me solidarizo com os integrantes do Livres, que por mais divergências ideológicas que possamos ter, é um movimento integro, autoral e consistente de renovação e inovação. Parabéns pela coragem e a iniciativa de se afastar com o que há de mais bizarro na nossa política institucional. Espero de coração que não vejamos nos próximos meses mais tentativas de solapar iniciativas de inovação e renovação política, pois nossa democracia precisa de uma atualização urgente!