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Elo Mulheres promove 2º Encontro Nacional durante Congresso da REDE

#Rede 11 de abril de 2018

Mais de 120 mulheres estiveram reunidas no 2º Encontro Nacional do Elo Mulheres da REDE Sustentabilidade, no Minas Hall, em Brasília (DF). Da ocupação dos espaços à construção de políticas públicas para as mulheres, os debates trouxeram informação, formação e incentivo para a ampliação do protagonismo feminino nas próximas eleições.

Mediado por Muriel Saragoussi, a mesa de abertura Mulheres na política e política para mulheres, contou com a participação da porta-voz nacional da REDE e pré-candidata à presidência da República, Marina Silva, e a psicologa Mafoane Odara.

Partindo do conceito de empatia, Odara trouxe reflexões para que fossem pensadas estratégias para que as mulheres possam ocupar cada vez mais espaços de poder. Ela defende que o protagonismo das mulheres na política não deve estar limitado a uma questão partidária. “ É preciso entender o lugar que se ocupa na sociedade e vislumbrar a transformação a partir dalí. Enquanto não ocuparmos metade dos cargos de representação, não seremos capazes de transformar o país”, disse.

Para Marina, diante da profunda crise civilizatória em que o país se encontra, é fundamental reconhecer que não há democracia sem a participação das mulheres na política. “De 513 deputados, somos apenas 8%. Durante mais de cinco mil anos, fomos tuteladas, tratadas como incapazes e isso tem um peso. Mas, em menos de cem anos, aprendemos a fazer tudo e muito mais que aqueles, que nos julgavam incapazes, são capazes de fazer”, destacou.

Segundo ranking da organização global Inter-Parliamentary Union, divulgado em 2017, de 193 países, o Brasil ocupa o 154º lugar, quanto à representatividade das mulheres na câmara dos deputados. Apesar das mulheres corresponderem a 52% da população brasileira, apenas 10% do Congresso é ocupado por elas, enquanto a média global da representação feminina no parlamento é de 23%.

Além da tímida representatividade feminina no Congresso brasileiro, Marina também lamentou a dicotomia vivida pela sociedade. Em tempos em que são exigidas expansões, a pré candidata acredita ser um retrocesso limitar o pensamento político a duas opções, sem ao menos considerar a possibilidade de não optar e sem estimular que sejam pensadas outras possibilidades. “Se você não fica protegido pelo guarda-chuva vermelho, nem pelo azul, é como se você não tivesse um lugar para poder ser você mesmo. E quando você ousa ser aquilo que é, eles dizem que você não existe, que você sumiu”, pontuou.

Ainda assim, a pré-candidata não se abate e segue com a proposta de um novo jeito de se fazer política. “Porque a política também é arte. A arte de entender as coisas como um processo vivo e não como fórmulas a serem repetidas. E a arte fala para além de seu tempo. Se Duchamp foi capaz de transformar um mictório na obra de arte mais celebrada do mundo, é possível transformarmos essa política suja, que está aí, em algo bom”, finalizou.

A programação seguiu até o final do dia, com debates sobre os avanços na legislação e a diversidade na construção de políticas públicas para mulheres, além da construção de grupos de trabalho do Elo e de apoio às mulheres que desejarem se candidatar este ano.