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REDE na luta contra o PL do Veneno

#Rede 23 de maio de 2018

A REDE SUSTENTABILIDADE conclama o Senado Federal a rejeitar a aprovação do
PL 6299/2000 e repudia as tentativas de atender a interesses tão nocivos e com
consequências tão danosas para o povo brasileiro. O PL 6299/2000 busca facilitar o
registro e o comércio de Agrotóxicos em nosso país. Ele é parte das estratégias das
gigantes multinacionais fabricantes desses produtos para ampliar suas posições em
nosso mercado. Em contrapartida, elas financiaram campanhas para eleger
parlamentares.

Estão previstos no PL a substituição do nome “agrotóxico” por “produto fitossanitário”,
bem como a retirada da caveira da embalagem – sinal internacional de perigo que
ajuda aos que não sabem ler. São formas de esconder o perigo que estes produtos
podem representar à saúde das pessoas e ao meio ambiente, cuidando-se apenas de
aumentar o mercado de consumo.

 
O Brasil é o maior importador de agrotóxicos do planeta: consome 1/4 de todos os
venenos e pesticidas produzidos no mundo. Além de exercerem forte lobby para
alterar a legislação local, conseguindo a liberação pela ANVISA de pelo menos 14
tipos de substâncias proibidas na maioria dos países da Europa e de negarem os
impactos dos agrotóxicos na saúde da população e no meio-ambiente, as mesmas
empresas se apropriam da agrobiodiversidade, pela concentração produtiva
agroindustrial: hoje 75% dos alimentos do planeta provém de apenas 12 espécies
vegetais e apenas 5 espécies animais.

Recentemente, numa estratégia de aumento de poder empresarial, ocorreu a fusão da
Bayer com Monsanto, o que torna ainda mais aguda a concentração produtiva do
mercado agroquímico, com quatro empresas dominando 65% do comércio de
agrotóxicos e pesticidas e quase 60% das vendas de sementes no mundo.
Com a proibição de alguns dos agrotóxicos mais perigosos em países ricos da Europa,
está havendo uma corrida para a venda dos mesmos na África e Américas,
“desovando” estoques e rentabilizando fórmulas e fábricas, em flagrante desrespeito
às populações e ao meio ambiente. A ação dos deputados brasileiros que apoiam
esse PL, facilitando o registro dos produtos, está a serviço desses interesses e não da
população brasileira.

Conforme a ANVISA, o país tem consumido atualmente uma média de 7kg de veneno
ao ano por pessoa, sob a complacência da nossa legislação atual. Se a flexibilizarmos
ainda mais, nossos custos com a saúde subirão. Conforme pesquisadores franceses
há aumento no número de cânceres, o que levou a França a banir de seu território o
glifosato, fabricado pela Monsanto. No Brasil, estudo realizado na USP demonstra que
há riscos de que um doador de sangue da área rural contamine os receptores de seu
sangue. Assim como poderão ser mais contaminados ainda os solos, a chuva, as
águas e os alimentos, pois a disseminação de agrotóxicos é incontrolável.

Conclamamos todos a pressionarem seus parlamentares para a NÃO APROVAÇÃO
do PL do Veneno e da morte conhecida e consentida. Não vamos sacrificar a
população de nosso país para que os poderosos grupos empresariais dos
agroquímicos ampliem suas contas bancárias e seu patrimônio às custas das
populações pobres do mundo.