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Nota da REDE sobre o movimento dos caminhoneiros

#Rede 26 de maio de 2018

“Com a elevação do preço dos combustíveis, milhões de brasileiros estão pagando um preço muito alto pelos erros de um governo que tudo o que faz é tentar proteger sua própria pele para se manter no poder”. Marina Silva

O Brasil tem assistido a uma intensa mobilização dos caminhoneiros em greve devido às seguidas altas no preço dos combustíveis. Além dos caminhoneiros autônomos, com demandas legítimas, existe a suspeita de um lock-out organizado por empresários da área de transporte, para auferirem vantagens durante o processo de negociação. A Rede Sustentabilidade destaca:

1. Que o atual governo, cercado de investigações de corrupção, demonstra insensibilidade e falta de agilidade em negociar com o segmento dos transportes. Desde outubro, representantes dos caminhoneiros vêm tentando diálogo com o governo sem sucesso. Em face do impacto da paralisação no abastecimento dos mais variados produtos e serviços, as reações e tomadas de decisões se mostraram lentas frente a processos de mobilização diversos que utilizam modernas tecnologias de comunicação;

2. Que, acima da questão entre liberalismo econômico e intervencionismo do Estado no preço da gasolina, a crise dos combustíveis está centrada na falta de uma reforma tributária que destrave o setor produtivo, sem comprometer a arrecadação do governo;

3. Que uma maior diversificação da matriz energética, para além da utilização dos combustíveis fósseis, com vistas à diminuição da poluição e da vulnerabilidade externa do país ao preço do petróleo, somada à construção de um modal de transportes mais eficiente, seja através de ferrovias, hidrovias ou outras possíveis formas em nosso país continental;

4. Que a situação atual demonstra a enorme fragilidade do sistema de distribuição de alimentos e da segurança alimentar e hídrica do país. O modelo de produção e consumo valoriza produtos que viajam longamente antes de chegarem à mesa do consumidor e o tratamento e distribuição de água é dependente em muitos lugares dos mesmos combustíveis que fazem o transporte de alimentos.

5. Que os desafios do país são complexos e os problemas interligados, exigindo um amplo debate nacional sobre nosso futuro, pensando em soluções estruturais e não empurrando os problemas de um setor para outro, sem solucioná-los realmente. Temos este ano uma preciosa oportunidade para o exercício democrático de apresentação de propostas para o país e, em especial, para chegar a um desenvolvimento justo e sustentável.

Saudações de luta e de paz!!!