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“O governo falhou ao avaliar a gravidade da situação”, critica Marina

#Rede 28 de maio de 2018

A greve dos caminhoneiros é mais uma demonstração da insatisfação generalizada de milhões de brasileiros contra os serviços públicos precários e todas as injustiças a que são submetidos diariamente. O aumento expressivo do preço dos combustíveis despertou a indignação de quem já está sentindo na pele o abandono e a indiferença. Como explicar esse aumento repassado para o bolso do consumidor depois do roubo bilionário da Petrobras?

O Brasil tem vantagens comparativas e excelentes condições de atualizar sua matriz para combustíveis renováveis e menos poluentes, como o biodiesel, e não ficar refém das variações do mercado internacional de petróleo.

O momento de crise exige um olhar para além de medidas paliativas. Precisamos enfrentar o debate sobre infraestrutura logística do país, desde a diversificação da matriz energética, o suporte adequado para o transporte rodoviário e transportes modais alternativos.

O governo falhou ao avaliar a gravidade da situação e a força da mobilização no início do processo. Quando o presidente iniciou as negociações, depois da situação dramática que se instalou e a grave crise de abastecimento, já não tinha mais alternativa para lidar com os acontecimentos e teve que adotar medidas depois do “leite derramado”.

A Petrobras definiu uma política de preços fora da realidade, em que toda variação do preço internacional do petróleo e do câmbio são repassados imediatamente para o bolso dos trabalhadores. Nós não acreditamos que é possível essa política de repasse automático sem qualquer mediação. O câmbio é volátil por natureza e responde a conjunturas de curtíssimo prazo. O preço dos combustíveis não pode e não precisa seguir essa mesma lógica. Há margem para absorver variações momentâneas do dólar, pois apenas uma parte do petróleo consumido no país é importada.

A medida tomada por Temer em permitir a isenção de pedágios para caminhões sem carga por eixos suspensos é uma reivindicação de muitos anos que já poderia ter sido atendida pelos próprios estados e não significa quebra de contrato entre governo estadual e concessionárias de estradas, pois sempre há possibilidade de repactuação e ajustes mediante acordo.

Considero correto o oferecimento de parte dos fretes da Conab para caminhoneiros autônomos. Mas acredito que tais ações não são soluções permanentes para a situação. Diversas políticas públicas estabelecem diretrizes e prioridades de caráter social ou de correção de distorções de mercado. É necessária a implementação de políticas públicas de infraestrutura de longo prazo que vão beneficiar e garantir um novo ciclo de prosperidade para o país.

As concessões feitas pelo governo não podem recair sobre as costas da sociedade na forma de mais impostos. A falta de credibilidade, legitimidade e incompetência do governo pode abalar profundamente a confiança nas instituições. A intervenção que o Brasil precisa urgentemente, com certeza não é militar e nem de natureza autoritária, é de mais cidadania e mais democracia a serviço da sociedade.