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Parcerias entre candidatas da REDE-DF dão novo significado às eleições

#Rede 30 de julho de 2018

A palavra “sororidade” é usada para descrever a união entre mulheres, com base na empatia e companheirismo, para alcançar objetivos em comum. O termo  ainda é relativamente pouco conhecido no Brasil, mas no Distrito Federal (DF) a expressão tem ressignificado o processo eleitoral de 14 mulheres que irão concorrer às eleições pela REDE Sustentabilidade. Com poucos recursos, muita vontade de construir uma nova política e o apoio do Elo Mulheres regional, elas formaram um grupo em que compartilham conhecimento, experiências de vidas, estratégias políticas e até mesmo a contratação de serviços para as futuras campanhas.

A coordenadora do Elo Mulheres no DF, Jane Vilas Bôas, que divide a coordenação com Luciana Brito, explica que a aliança entre as mulheres foi intensificada em 2017, com a realização de encontros para inicialmente debater a identidade feminina. “A conversa começou de uma forma antropológica, sobre o que era ser mulher, porque quando as pessoas têm noção de si mesmas, elas são capazes de ir atrás do que querem e de crescer a partir do conhecimento. Foi um processo que possibilitou a chegada na política com um consciência de si própria e da condição da mulher bem mais amadurecida”, avalia Jane, que também é coordenadora de Comunicação da REDE Nacional.

Nayara Lopes, de 33 anos, que também foi coordenadora do Elo Mulheres DF, acompanhou todo o processo e acredita que que os diálogos realizados permitiram a emancipação das mulheres em vários sentidos. “Muitas vezes, a mulher não reflete sobre a condição dela e, com isso, não se dá conta da própria desigualdade que vive, seja no ambiente social, seja nos ambientes econômico ou político. Além disso, existe uma cultura de competição no meio feminino, que não ocorre nesse espaço, porque entendemos que existe uma causa maior, que não é individual”, descreve Nayara, uma das pré-candidatas da REDE para a Câmara dos Deputados.

Em 2018, as reuniões foram reforçadas com o curso de formação política. O comprometimento foi tamanho que rompeu as fronteiras dos encontros e ganhou as ruas. Unidas, elas se mobilizam para participar das atividades e eventos que cada candidata promove, espírito que possibilitou até o lançamento das 15 pré-candidaturas de uma única vez. “Estamos desconstruindo conceitos, não só na teoria, como na prática. Com esse processo, reafirmamos que não é por dinheiro e, sim, porque acreditamos em um projeto maior”, esclarece Hosana do Nascimento, 46 anos, pré-candidata da REDE ao cargo de deputada federal.

No entendimento de Thaynara Melo, que também concorrerá as eleições para a Câmara dos Deputados, a postura adotada fortalece as pré-candidatas e ajuda a mudar a percepção sobre a política. “A relação de disputa não tem a ver com a REDE e nem com a lógica da política que acreditamos. O meio político é muito baseado na desconfiança, justamente porque ninguém respeita os acordos. Nós somos ao contrário, compartilhamentos até estratégia de eleição”, revela a pré-candidata de 25 anos.

Para Hosana, o estreitamento da relação entre as candidatas gera mais ganhos sociais. “Achei interessante a interação entre candidatas de cidades e, consequentemente, realidades diferentes. Aqui você tem mulheres das periferias do DF ao lado de mulheres do Plano Piloto [centro de Brasília].”

O depoimento  é reforçado pela pré-candidata à deputada distrital Haline Aragão, de 50 anos, que ressalta que a sororidade aparece também nas horas de cansaço. “O meio político pode ser muito desgastante, mas para esses momentos temos uma frase de ordem que sempre usamos, que é ‘nenhuma a menos’. Desde o início, exercitamos a sororidade e, por isso, uma representa todas. Nunca vi esse comprometimento em nenhum outro lugar na política”, conclui.

A pré-candidata à deputada federal Adriana Faria, de 46 anos, observa que, apesar da sororidade ser um conceito novo para a maior parte da população, a vivência e aplicação do que o terno defende é um grande aliado para o fortalecimento das mulheres. “Fui para o meio político esperando encontrar aqui o machismo que via nos outros ambientes que já atuei. Mas, a partir do posicionamento das mulheres da REDE, vimos que conseguimos ser solidárias, porque somos concorrentes e não adversárias. E, se conseguimos praticar a sororidade na política, conseguimos aplicar esse conceito em qualquer outro espaço”, conclui.

Economia
A estratégia de priorizar a cooperação mútua produziu ainda economia. Isso porque elas passaram a orçar e contratar juntas serviços como produção de vídeos, assessoria jurídica e contábil. Thaynara revela que nessas contratações o grupo prioriza a admissão de mulheres. “O circuito político é muito masculino e, para além das candidaturas, queremos também garantir uma cadeia produtiva de mulheres”, acrescenta.

Exemplo
Para Jane Vilas Bôas, a parceria potencializa a atuação das pré-candidaturas de forma expressiva, uma prática  que pode inspirar mulheres de outros estados. “Está surgindo uma relação entre as mulheres, um despertar de consciência, que envolve laços e o interesse em participar da política. Elas disponibilizam de forma igualitária o pouco que têm, independentemente de serem concorrentes uma das outras. Além de ser uma experiência humana muito forte, é um movimento muito original”, completa.

Mais mulheres na política
O time de pré-candidatas à Câmara Legislativa do DF é formada também por Abadia Santarém, Ana Rosa, Bia Sabiá, Danielle Veloso, Danielle Lima, Enilde Neres, Liziane Brauner, Luzia Leite e Taty Ceciliano.